sábado, 9 de julho de 2011

Contribuições do mestrando Renato Dering para o Dulce far niente

DESPERCEBIDO
Eu não gosto quando você não me toca
quando não me olha nos olhos
quando finge que eu não existo
e principalmente, quando passo despercebido

Eu não gosto quando você não beija
quando não me inclui em sua vida
quando finge que não sabe que eu te amo
e principalmente, quando desvia seu olhar

Eu não gosto disso e de muitas outras coisas
é preciso que você entenda isso
e ainda além, é preciso que saiba de mim.

Saiba do que eu sinto, perceba meus sentimentos
infelizmente eu não posso te culpar
por aquilo que nunca tive coragem de dizer.

E o amor? Totalmente despercebido...

Indignação

Eu não gosto quando são perseguidas,
Massacradas, e ridicularizadas.
Quando não são vistas,
Apagadas, dominadas.

Eu não gosto quando não podem viver,
De amor, de poesia ou de arte.
De compreensão, de apoio,
De paixão.

Eu não gosto quando não se ouve
Sua voz, seus gritos,
Seu pedido,
Sua agonia.

Eu só gosto (e apenas isso)
Quando elas se destacam.
E carregam consigo toda uma classe,
Que quer vida, quer amor e liberdade!

                                                Por Thaís Silva

poeminha humilde. De Thaís para Marcel

Eu pensei que não poderia te amar
Mas o pior, é que eu não posso.
Não posso, porque te amo.
E como nossos caminhos insistem no mesmo sentido,
Só me resta te amar. Te amar, te amar...
 
 
PS.: Uma forma de parodiar meu amigo R. Dering!rs
 

quinta-feira, 7 de julho de 2011

"A boa ficção tem muito mais peso do que a modesta realidade".

É com essa frase singela, mas muito significativa, de Maria Luíza de Queiroz (irmã de Rachel) que reconheço o grande caráter da literatura. Talvez seja esse o fator que justifica a grandiosidade de obras literárias de chunho social, que, mesmo abordando temas que nos são tão recorrentes, tão familiares, ainda assim essas obras conseguem nos arrancar de nossos confortos e nos comovem, nos chocam, nos instigam.
Como ler Jorge Amado sem se comover? Sem se sentir tão parte deste mundo e, ao mesmo tempo, tão alheio a ele? Como ler Erico Veríssimo e não se deixar conduzir por uma viagem no tempo, num período em que as cidadezinhas do interior tinham mais valor; num contexto em que a política era questão de honra; numa época em que se tinha gosto por ouvir boas histórias?
Isso tudo é característico na Literatura. Essa transposição para outros lugares, não para perder o leitor, mas justamente para situá-lo naquele contexto que lhe é de origem. Pois ao ler Machado de Assis, se entende o porquê de tantas mulheres usarem a dissimulação como hábito de vida (elas precisavam sobreviver de alguma forma!); é em Graciliano Ramos que se compreende o verdadeiro valor de uma propriedade; e é em Rachel de Queiroz que se aprende a verdadeira alegria de viver: a liberdade (em todos os sentidos que essa palavra consegue abarcar).
Amemos a literatura, então.Pois ela consegue pesar muito mais do que uma singela realidade...

terça-feira, 5 de julho de 2011

"[...] Ninguém tão Brasil quanto ela"

"Louvo Rachel, minha amiga,
Nata e flor de nosso povo.
Ninguém tão Brasil quanto ela,
Pois que, com ser do Ceará,
Tem de todos os Estados
Do Rio Grande ao Pará.
Tão Brasil quero dizer
Brasil de toda maneira
-brasílica, brasiliense,
brasiliana, brasileira."
                             Manuel Bandeira

RQ

Ela foi aquela que soube viver de acordo com seus preceitos; modificou e contibuiu significativamente, com a trajetória e os rumos da literatura brasileira; amiga de Jorge Amado e José Lins do Rego, mostrou-se preocupada com questões sociais e interessada, acima de tudo, no ser humano, em suas ânsias em todas as esferas de realização.

segunda-feira, 4 de julho de 2011

Rachel de Queiroz em "Tantos Anos"

Falar sobre a escritora Rachel de Queiroz, por si só, já me fascina. Agora, falar sobre a pessoa, a mulher, Rachel de Queiroz, é sensacional.
Depois de ler umas breves páginas sobre sua história de vida, contada por ela mesma e por sua irmã, Maria Luíza de Queiroz, descubro que por trás da escrita feminina, existia uma guerreira, uma corajosa, uma mulher totalmente desinibida.
Tal foi sua desibinição que, num episódio muito curioso, quebrou uma sombrinha nos ombros e nos braços de um sujeito, justamente por ele ter dito coisas horríveis a respeito dela e de sua obra prima, O Quinze.
Onde já se viu, criticar um trabalho tão bem feito e tão verdadeiro como o dela? Que respira preocupação com as questões sociais e revela um novo olhar sobre o mundo, sobre a sociedade.
Mas o que mais me chamou atenção nisso tudo, foi o fato de essa mesma mulher, Rachel de Queiroz, ter se recusado a fazer as modificações num de seus romances, João Miguel, proposto pelos policiais, representantes da ordem de um Estado, em plena ditadura brasileira.
Foram tempos difícies, aqueles. Mas Rachel, tão mulher que era, se recusou a cortar certas passagens de seu romance, assim como nunca deixou de participar da política e de demonstrar aos outros sua liberdade de pensar.
Ela queria ser livre, pensar por si só, ter suas próprias idéias, seus conceitos.E só me inspira, a cada dia, a aprender a ter coragem e a ousar, talvez não tanto quanto ela, mas a dar uns passos mais largos de vez em quando...