terça-feira, 18 de setembro de 2012

Primaverandoooo



Primaverandoooo....

Como todo mundo sabe, o Dulce é um espaço reservado aos sensíveis de plantão como eu. E como já foi dito, o espaço aqui é tb destinado às fotografias que nos instigam e nos enchem os olhos...
Pensando nisso, minha gente, reservo o tema de hoje à chegada da Primavera, a estação mais florida do ano, por várias razões. Não somente por ser o momento em que as flores ‘renascem’, mas também porque em meio a toda essa nova vestimenta, os fotógrafos ganham um prato cheio de belas imagens...
Lá pelo dia 23 de setembro é que receberemos esse presente dos deuses, mas por hora, acrescento que não é só de flores que seremos contemplados. Há também a ilustre presença de uma brisa refrescante e do clima super agradável.
Pensando nisso, aproveito para dizer que nada mais gostoso do que unir o útil ao agradável, o que, no meu caso, significa a parceria entre clima bom+dedicação aos hobbies. Ou em outras palavras, Primavera+literatura (se é que me entendem...).
Assim sendo, dedico a vós, caros seguidores e blogueiros de plantão, o aproveitamento desse novo momento do ano, com a leitura de um caboclo tri legal: FERNANDO SABINO, ou mais precisamente, com a leitura de “A Inglesa Deslumbrada”. Aliás, digo ainda que caso algum de vocês já tenha lido e amado alguma obra desse sujeito, por favor, sintam-se convocados a dar seu parecer aqui. A correspondência entre o Sabino e a Primavera NÃO é despropositada; tanto um quanto o outro tocam os nossos sentidos e nos despertam de alguma forma (seja pela simplicidade aparente ou pela chegada estrondosa).
Para finalizar, miei amici (meus amigos), deixo uma frase sábia de Cecília Meireles:
“Aprendi com a primavera; a deixar-me cortar e voltar sempre inteira”.




E que seja assim conosco também. Salve a Primavera, e salve as belas fotos dela!!

Primavera - Vivaldi ( As quatro estações )

segunda-feira, 20 de agosto de 2012

Tem estréia nova no Dulce!!
Tudo bem que eu sou suspeita pra falar, mas a novidade é boa e merece destaque...
Para os apreciadores de literatura e, sobretudo, por crítica literária, como aquelas conversas gostosas que temos nos intervalos das aulas, ou no encontro com os amigos no sábado à noite, o livro "Vicissitudes literárias na criação da narrativa e no imaginário ficcional" chega para representar e incorporar tudo isso.
A obra representa a opinião dos autores que, diante de tantas leituras, decidiram manifestar suas vozes sobre os romances e os escritores que de algum modo, incorporaram o imaginário literário nas questões de memória, de relato de viagem, de quebra de expectativa, de rompimento com a tradição cultural, e de uma série de outras coisas que só a literatura tem licença para representar...
O livro é, na verdade, uma discussão aberta, uma conversa gostosa que busca interpretar o processo artístico de fazer uso da palavra para expressar a vida em suas mais diversas realidades.

Vicissitudes literárias na criação da narrativa e no imaginário ficcional                     Fica a dica e boa leitura!

segunda-feira, 18 de junho de 2012

As facetas do Regionalismo...


Antes mesmo das discussões do Movimento Modernista, nos idos de 22, promover discussões no que diz respeito ao fazer literário, escritores consagrados pelo cânone acadêmico, no século XIX, já teciam comentários sobre questões relacionadas ao autor e o seu público.
            O exemplo mais pungente que destacamos aqui é o do escritor e crítico Machado de Assis, principalmente porque, entre outras coisas, sua produção ficcional consolidou o campo das letras e se perpetuou até os dias atuais, como o marco de um estilo literário que serve de referência para muitas produções ficcionais.
            Segundo Machado (cuja crítica pode ser analisada em seu célebre texto, “Instinto de nacionalidade”), qualquer que seja o assunto a ser tratado numa obra, de algum modo o romancista deixará transparecer certos traços de seu contexto sócio-cultural, de sua região de origem. De forma alguma, porém, tal característica deve ser vista como sinônimo de defeito ou sintoma negativo, pois, ao contrário, os aspectos referentes à sua região, revelam certa consideração do autor pelo seu ambiente natural, por suas próprias raízes.
            Entretanto, quando nos deparamos com taxações do tipo ‘literatura regionalista’, nos vemos novamente em face das propostas machadianas e, volta e meia nos perguntamos se era esse tipo de regionalismo a que o grande crítico outrora se referia. Afinal, elucidar traços de determinada região do país seria suficiente para identificar determinada prosa ficcional como regionalista? Creio que a noção regional proposta por Machado era algo que buscava ir além.
            Os aspectos relacionados a cenários, ambientes, descrições e detalhes de lugares, mostram-se como fortes aliados na composição de uma ideia de pertencimento do autor com seu contexto natural. Tal recurso se mostra ainda mais significativo quando criado num movimento de abertura da obra para recair no assunto em que ela propriamente focará. O Rio Grande do Sul, por exemplo, é introduzido na mente do leitor para, em seguida, respaldar a história que compõe a narrativa de Incidente em Antares, de Erico Verissimo. No entanto, o espaço gaúcho não é o destaque da obra, mas um adendo à narrativa.
            Por esse viés, podemos supor que muitas das obras tidas como regionais, ou o fizeram inconscientemente, ou desenvolveram artifícios para atrelar o enredo ficcional à história da identidade de sua região. Exemplos disso podem ser encontrados em Dona Flor e seus dois maridos, de Jorge Amado (para citar apenas uma das muitas obras do autor que reconstroem a Bahia, em muitas aspectos sociais e culturais) e João Guimarães Rosa, com sua mineiridade perceptivelmente incorporada em seus contos.
            Mas me refiro também às nuances inconscientes do escritor frente à sua criação, justamente para justificar aqueles casos em que falar de sua própria região não é algo premeditado, simplesmente acontece, como o caso de Rachel de Queiroz. “Mas a ficção funciona assim, você não sai da sua origem, não importa onde você esteja” (QUEIROZ, 1997, p. 36).
            Todas essas facetas do regionalismo implica em reconhecer que seu conceito é problemático e que, talvez, tenha sido muito usado de forma ‘pouco rigorosa’, como conceitua José Hildebrando Dacanal.
            Mas se de fato, retornarmos aos conceitos tão antigos, porém jamais ultrapassados, de nosso mestre, Machado de Assis, perceberemos que ser verdadeiramente regionalista é transcender os limites de seu próprio território; é partir dele sim, mas rumo a aspectos fora do espaço; é integrar a obra nos reflexos ideológicos, culturais, da mentalidade de uma determinada época, e explicar-lhe a razão de ser.
            Depois disso, talvez, nossa visão sobre o caráter regionalista se amplie um pouco, e grandes referências literárias como Os Lusíadas, por exemplo, passem a nos fazer mais sentido.  Não quero com isso dizer que toda obra passará a ser regional só porque trata de seu meio; mas realçar que a verdadeira magnitude literária é justamente aquela que em que o autor se faz homem de seu espaço e de seu tempo, sem se ater exclusivamente a eles. Eis Dom Casmurro, para nos comprovar isso.

domingo, 20 de maio de 2012

Aos adoradores da literatura desprestigiada...

Volta e meia a gente ouve por aí alguém dizer que certos livros não se lê. Tamanho é o preconceito e a estigmatização que existe e que está por trás de certos nomes literários.
Paulo Coelho é um deles. Isso pra não citar os famosos best-sellers norte-americanos, como Aghata Chrstie, Sidney Sheldon, Marian Keyes, Meg Cabot, etc etc.
Penso que para os amantes desse tipo de livro, a literatura não é analisada sob um viés estético ou teórico; sob a aproximação com alguma tendência literária ou rompimento com certas doutrinas acadêmicas. Para essas pessoas, literatura é o que elas lêem.
Independente do autor, do seu estilo, de sua aceitação pela crítica de forma geral, o leitor será amante e fiel daquela obra que conseguir compartilhar com ele, seus ideais de vida, suas posturas ideológicas, seu modo de conceber a realidade.
Eu, por exemplo, julgo extremamente pertinente quando alguém diz que tal livro faz parte de sua estante porque de alguma maneira, ele consegue ler a si mesmo na obra que tem em mãos.
Ademais, que não sejamos ingênuos em defender a noção de que ler ficção é fugir da realidade, ou ainda, que ler best-seller é conseguir um meio de abstrair dos problemas cotidianos... Isso tudo é balela.
Ao contrário, ler é colocar-se em total sintonia com o mundo, seja porque o livro nos torna mais conscientes de nossa realidade, seja porque uma obra literária tem o poder de nos confrontar, de questionar nosso modo de pensar, nossas concepções, nossas ideologias.
Logo, seja o livro que for, uma obra será designada como literária a partir das impressões do leitor. Deixemos de lado o conceito de cânone ou de literatura menor. E que a gente possa se entregar aos encantos daqueles que, por meio da palavra (de sábias palavras, eu diria), nos cativam, nos acolhem e nos entendem...